...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Michael Kenna, 1999




ENTREGA

digo:

beberei toda água da cisterna

a cisterna:

não te iludas

que sou infinda

nos dentes:

me lavarei então

toda imersa nesta água

para esquecer caramujos

unir-me

ao que na claridade é cisterna

francine

Convido a todos pra conhecer o blog de Francine Canto:

www.poemasdefrancinecanto.blogspot.com


Bill Brandt, 1966



SE EU MESMO FOSSE O INVERNO SOMBRIO

(A cisterna --- Opus 1)

Caí na cisterna abobadada de Bahr El Khabeer

para escutar mel nas ostras,

para escutar a fonte dos tontos,

para escutar o sumo solar.

Aqui na cisterna tenho orgias de latim

e sou virgem de mulheres.

Meus olhos cobertos por vidros fumados,

de aros muito grossos e talvez prateados.

A cisterna mormacenta sufoca,

enquanto rememoro as cavilações

daquela noite de runas que vaticinou:

eu só poderia clarear o inverno sombrio

se eu mesmo fosse o inverno sombrio


Fernando José Karl,
um animal impossível do Espírito



Beth Moon, 2005



Chovam antiqüíssimas estrelas no teu gelo!

Esguichos de unicórnio e quintal de cinamomos,

meu amor, minha concha, meu osso de Trakl.

Coroada de branca espuma a brisa, barcas o mar,

caixa-de-música o ar e água pura a fonte,

enquanto zaranza o vendaval e o quarto se acalma,

o crisantempo de Georgia O’Keeffe se alucina.

E que te orvalhem no jardim dos camaleões.

Durma até, durma, que eu te ressuscito.

E ao adormeceres comigo, sem que me toques,

possa a minha árvore branca

oxigenar a pura fonte no pedrento,

meu amor, meu labirinto incrustado de cornucópias.


Fernando José Karl,
um animal impossível do Espírito

Maratona de Leitura


Nesta segunda feira (23/11) iniciarei no SESC de Itajaí mais uma maratona de leitura. O projeto do SESC é muito simples e eficaz. A proposta é reunir pessoas que queiram ler e comentar suas impressões de leituras (afinal o que resta da leitura, a não ser uma impressão , uma marca?). O clima é descontraído, contribuindo para fruição da leitura. O livro eleito para esta maratona é Matéria de Poesia.
Maratona de Leitura
SESC Itajaí
Av. Marcos Konder
Início: 19h
Todos estão convidados a ler as palavras mínimas do Manoel de Barros.

Cristiano Moreira

domingo, 22 de novembro de 2009

Folga em Porto Alegre



Após um dia de atividades literárias o grupo se reúne para fumar, conversar, rir, imaginar. Enfim, eis as figuras raríssimas Dennis Radünz, Marco Vasques, Cristiano Moreira e Fábio Brüggemann. Semana que vem tem poemas de Octavio Paz traduzidos por Marco Vasques.

Uma crônica de Marco Vasques


Crônica Publicada no Jornal Notícias do Dia



Um crivo cristalino


As pessoas nunca o impressionavam muito. Até que começou a sentir um espaço vazio ao olhá-las. Quando encontrava alguém, uma janela aberta se instalava em seu corpo. No primeiro dia ficou com medo de estar cego. Quando sentou à frente de seu oftalmologista, ele também se transformou em janela. Depois, passada a fase da janela, só via sapatos andando, sapatos que corriam para todos os lados. Passou a entender menos ainda este fenômeno. Sentado na praça tinha um desejo enorme de seguir os passos de todos os sapatos, sempre mais belos que os seus passos. Foi ao psiquiatra e ele também era mais sapato. Então desistiu de matematizar os dias e se deixou levar pelas alucinações. Dali para frente suas atitudes começaram a mudar. Em poucos meses, um dos quartos de sua casa estava cheio de sapatos, sapatos de todos os tipos e cores. De crianças, mulheres, homens, palhaços. Não entendia muito bem o motivo de tantos sapatos guardados, mas com o tempo passou a admirá-los com certa devoção. O mesmo ocorreu com as janelas. Criou um amor involuntário pelas janelas. A sala estava cheia delas, de todos os tipos e cores. Passava os olhos por elas com um sabor de paisagem. Um dia, percebeu que uma das janelas havia piscado para ele, um mexer de olhos envolvente e sincero. De início não deu muita importância, até que, certa noite, ao acordar, viu que estava abraçado a uma janela toda despida, toda nua. A moldura e os gonzos desta janela pareciam sempre mais belos que os das outras. Foi quando notou que estava apaixonado. Uma paixão irreversível. Os familiares começaram a cogitar um tratamento intensivo, algo que pudesse transformá-lo no homem que sempre fora. Um homem centrado, devotado ao trabalho e à família. Tentaram de tudo. Fizeram algumas internações e o afastaram de sua janela preferida. A solidão tomou conta dele. Aos poucos ele foi definhando. Os familiares, quando o visitaram pela última vez no sanatório, não acreditaram no que viram. Ele estava tão magro e esquálido que sua sobrinha disse aos outros: “olha, o tio virou parafuso”. Pronto. Todos se assustaram e logo pensaram em deixar a criança ao lado do tio. Porém, como ainda era criança, todos concordaram que poderiam domar sua visão, e logo se foram. Ele, conta a lenda, virou paisagem de outra janela.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Um precursor que não pode ser esquecido.

Em 1932 na argentina Oliverio Girondo publica um livro de poemas chamado Espantapájaros - Al alcance do todos. Na ocasião do lançamento, Girondo ( que gostava muito do Brasil tendo visitado e mantido contato com, entre outros, Oswald de Andrade) colocou um espantalho sobre um carro funerário e saiu com este pelas ruas de Buenos Aires. Girondo já colocara então o espantalho em movimento, tirara a fixidez da figura.

Aproximações de um espantalho

Báçira


I

um cartapácio de folhas secas e pano
estralam sob as digitais
as palhas, as falas, o solo, as solas
rachadas, hidratadas
um corpo
igual sob a luz q desce a oeste
ao som comprido de um oboé.

quero mesmo todas as falhas
as frestas todas as cores todas os dias
dança todas as noites a imobilidade
lugar outro, tempo outro, os mesmos no exterior
da maquina do Dr. Faustroll

poucos veem
outros menos ainda
dançam.

ser cartapácio
desperta um desejo de síntese
memória, até parece

por isso as digitais
suas vertigens e deltas
povoam estas margens
olhos baixos bulbos de luz intensa
porém embargada

não chove, não chove, não chove
(assim a seara seca sob as solas)

palavras verdes, amarelas, vermelhas, azuis:
flores maduras
sob o sol
desidratam as tatuagens
ao menos onde os olhos não alcançam

quero te ver dançar
na pele da tarde talvez






II



povoo este território onde antes mar,
sua desmedida quantidade de pétalas

esta guirlanda inerte na areia,
ignorada, pode mentir, porque tem sangue.
não faz diferença, talvez mau agouro.

distante assim pro mar a maresia
dança o espantalho de costas. aqui. longe
ilumina-o as falas do trompete

e as pétalas que deixei na beira da praia
agora, uma esquadra sem bússola
estrelas boiadas, borboletas marinhas

virei as costas na partida, segui
os mesmos passos do espantalho, do Báçira

tudo gira ao seu redor, ao meu. ali, dançando. no campo árido
como extensão que só existe entre as palavras,
o enorme silêncio. talvez aqui a minha casa

talvez aqui, sinta, como no mar, a extensão
e o solavanco, as fronteiras rangendo ao longe

planto e pesco neste espaço
povôo as falhas das letras, minha mais cara não sabência .
quem sabe em breve a floração
a qualquer momento podemos não ter o solo,

dizemos, então, diante de todo este espaço:
_ um campo re-coberto de naufrágios.


[o espantalho olha de lado, sorrimos]



cristiano moreira

Aproximações de um espantalho

Inicio aqui a postagem de um trabalho em andamento, um trablaho em aberto que aceita e solicita ao s leitores que sugiram, que indiquem outros espantalhos, Trata-se de uma aproximação do poema como um corpo que deixa vestígios, um corpo deambulatório, contrário do objeto imóvel, da estagnação. São poemas tratados como espantalho, criatura feita a partir de restos: calças que já não a ninguém serve, camisas que nem a folguedos juninos bastam e palha sem nutrientes para os cavalos. Assim, existem espantalhos perambulando em toda cidade como fantasmas. Os cacos do cotidiano, o despercebido na multidão, um suspiro ousado por uma mulher que acaba de perder algo ao atravessar a rua. Algo que, perdido, já não o é em conjunto com outros corpos esquecidos. Estas aproximações de um espantalho são movimentos que tangenciam corpos, como um toureiro na arena dança no limiar do toque, entre o prazer a possibilidade da morte. Por fim, o lugar (se é que isso existe) de onde surge o motor dessas aproximações, aproximações do desconhecido, do esquecido; o ponto de partida desta viagem está em um livro de Luis da Camara Cascudo, Geografia do Brasil holandês, de 1956. Neste livro o escritor da estirpe de Franklin Cascaes, aponta para um limiar no mapa de Marcgrave desenhado em 1588 em cujo espaço está marcado a serra da Paçira, antes monte Trovão ou Serra do Abalo. Ainda uma curiosidade, o Paulo Leminski também fala deste cara, mas escreve Marcgraf. Ta lá, no Catatau (livro de 1975). Camara Cascudo, escreve que esse lugar mais espantava que atraía os aventureiros pois, ‘Isolado, posto no meio da solidão, era a fronteira, o limite absoluto de tudo quanto se sabia’. Daqui surge a ideia de armar um movimento de aproximação de um corpo pouco conhecido, pouco dado a conhecer-se plenamente como é o caso dos poemas. Sempre um ir além. Mais uma nota importante de como cheguei até este Báçira (corruptela da Serra da Paçira). A referência está no último livro do escritor pernambucano Osman Lins chamado A rainha dos cárceres da Grécia, de 1976.

aqui então o mapa:



Singulares no Diário Catarinense de Hoje


Poesia catarinense ganha a internet

Um espaço para reunir os poetas e divulgar a produção contemporânea catarinense. Esta é a proposta do www.poetasnosingular.com.br, site criado por um grupo de 10 poetas do Estado, que, além de divulgar poemas, está se consolidando como o espaço de discussão, de encontro e debates sobre a literatura de Santa Catarina.A ideia surgiu há dois anos mas só agora está na rede. O site tem o perfil de cada um dos poetas, sua produção literária e um blog onde todos os integrantes do grupo postam suas opiniões e comentários, debatem temas ligados à área e inserem notícias de literatura.– Hoje há uma individualidade muito grande e o site tem a dupla função de divulgar a literatura e ser uma pequena agência de notícias sobre o que acontece na área – diz Dennis Radünz, um dos autores que participam do projeto.Para o próximo ano, o grupo planeja lançar uma revista eletrônica com conteúdos antes restritos aos livros. Também está nos plano dos poetas, publicar crônicas.– O livro continua sendo o principal suporte da literatura, mas o site permite este acesso do público. É uma porta de entrada para o trabalho de cada um dos escritores – reforça Radünz.Para o autor, Poetas no Singular é um recorte, uma antologia, um momento da literatura no Estado.– Estamos em cidades diferentes e o site consegue reunir os escritores. Nos dá visibilidade pois temos um grande problema de distribuição dos livros. Ele permite que nossos poemas sigam por caminhos que a gente não vai. Os meus, por exemplo, vão até onde eu vou – observa o poeta Rubens da Cunha.Valdemir Klant entende o poetas no singular como um espaço para os estudantes terem acesso à nova literatura de SC.Klant lembra que o site é importante para os professores, pois os poemas podem ser trabalhados em sala de aula.– Para os poetas, é um espaço de encontro, de discussão da literatura e de disponibilização da literatura catarinense – diz Klant.O grupo de poetas é formado por Marco Vasques, Dennis Radünz, Cristiano Moreira, Ryana Gabech, Antonio Carlos Floriano, Valdemir Klant, Fernando Karl, Rubens da Cunha, Marcelo Steil e Raquel Stolf.



JACQUELINE IENSEN

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Crônica de Rubens da Cunha


Publicada no jornal A Notícia no dia 18 de novembro


PAISAGEM À JANELA


Codornas gritam do outro lado do muro. Alto. Doloridas como só sabem ser pássaros que não voam. Sobre a brita, dois coelhos passeiam, brincam, parecem estúpidos, tanto quanto algumas pessoas que conheço. Ariscos também. Encostado no muro, 23 garrafas pet, a maioria de coca-cola, cortadas pela metade, cheias de estrume, cada uma com um pé de alface, devidamente atacados pelos coelhos estúpidos e ariscos. Olho os coelhos de novo, também são fofinhos, tanto quanto algumas pessoas que eu conheço, mas não passam disso. Do outro lado, um galinheiro com 12 galinhas poedeiras, todas da mesma cor, todas também com aquele desespero das aves que não voam. Lado a lado, um pé de jabuticaba e um de limão. Inimigos naturais, penso. Parece-me que o limão tem muita inveja da jabuticaba: ele todo enrugado, espinhudo, azedo; ela, por sua vez, redonda, lisinha, toda adocicada e elegante. Também se assemelham muito a certas pessoas que eu conheço. Fico aqui contabilizando: conheço mais jabuticabas ou mais limões? Uma mangueira azul atravessa todo o pátio. Cobra de plástico, inerte, estranha artificialidade na tarde cinzenta. Mais longe, num canto, cebolas-verdes, hortelãs, mais algumas ervas não-identificadas. No lado, um balde preto com uma planta seca. Triste planta morta. Ao lado, um filtro de água, daqueles que os antigos usavam, também feito de vaso com mais uma planta morta. Parece que esse canto do jardim não resulta muito bem para plantas. No caibro, um ninho de correca, diminuto pássaro irritante. Sei disso agora, pois na infância fui treinado para odiar os tico-ticos, já as correcas eram protegidas por Maria, por Jesus Cristo, enfim, relampejos infantis vieram agora que vejo a correca, mas não consigo ordená-los. Perto, um ninho de marimbondo. Esse sim, animal espetacular, suas casas de barro são obras-primas. Tenho pena, mas a obrigação manda destruir tudo. Os coelhos continuam estúpidos, as codornas e galinhas continuam gritando. Da janela, vislumbro, ouço, cheiro um mundo diminuto e silencioso lutar, viver, sobreviver. Tocar, não posso, protegido que estou dentro de minha casca-casa, com todos os tapetes, os chinelos, os perfumes que a limpeza e o bom-gosto me dá, além disso, não me pertencem. Apenas vislumbro da janela, apenas vejo a vida acontecer num ângulo qualquer de visão. Os cachorros do vizinho latem, mas não é para os gatos do mesmo vizinho, talvez para estranhos passando na rua. Cães e gatos parecem bichos acostumados, se bem que vejo sempre os gatos sobre os muros, destilando sua petulância branca e habitual. Também se assemelham a algumas pessoas que conheço. A correca grita mais um pouco, será que vai haver mais uma noite de amor no ninho de palha? Um pequeno inseto voa sobre o pé de limão, perto do pé de jabuticaba, asa nenhuma se empenha. Será que eu estava errado quanto aos meus conceitos sobre essas duas frutas? Será que os insetos preferem os limões? Quase anoitecendo. A visão vai se esfumaçando, ficam apenas os barulhos, naturais e artificiais, compondo a paisagem à janela.


(Quadro de René Magritte)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

1/2 SINGULAR



Aí está a metade da turma: Antonio Carlos Floriano, Marco Vasques, Ryana Gabech, Cristiano Moreira e Dennis Radünz. Sob a sombra da figueira centenária, Radünz, faz mini-sessão de autógrafos.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Duas vezes Singulares


Poetas no Singular na capa e no caderno Plural do jornal Notícias do Dia

Na última sexta feira 13, o jornal Notícias do Dia publicou uma excelente matéria sobre o Poetas no Singular. Fomos capa do caderno Plural do Notícias do Dia. O encontro com a reporter Dariene Pasternak aconteceu na Praça XV de Novembro no centro de Florianópolis. Estava presente a metade do grupo, que puderam se desvencilhar dos compromissos e da distância, Ryana Gabech, Marco Vasques, Dennis Radünz, Antonio Carlos Floriano e Cristiano Moreira. Passamos a manhã em uma atmosfera de descontração e de conversa sobre poesia, sobre as propostas dos Singulares para 2010 e esclarecimentos sobre os por Qs da criação do sítio.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Poemas de Antonio Carlos Floriano na revista Germina


Quem quiser conferir os poemas do livro Cadernos do Japão (SP, Massao Ohno, 1999) do poeta Antônio Carlos Floriano pode acessar o link http://www.germinaliteratura.com.br/ . Pois a última edição da revista de arte e cultura coligiu boa parte da lavra do singular. Para instigar o acesso segue um poema:


Em câmera lenta
A menina japonesa me sorri

Seu uniforme azul marinho
Guarda o vento da bicicleta

Entre o castelo do oriente
E a montanha azul da Rússia
Vai-se o tempo para sempre

A estrada

um dia se encontraram em uma estrada comprida. uma estrada cuja extensão não se podia medir senão depois do fim. se encontraram e se olharam. já haviam se encontrado inúmeras vezes nesta estrada, andando de um lado para outro, subindo montanhas, descendo árvores, descalços e com gravatas visitando lugares diferentes. já se conheciam, portanto. havia sempre o que dizer. dizem que é deste tipo de recorrência que surgem as amizades, da possibilidade de olhar a cada encontro no olho do outro e saber falar daquela geografia iridológica e dizer dos lagos, do ar que sai empurrando as palavras nas escarpas do sentido ou apenas ouvir a devolução das palavras pelas rochas penduradas no abismo.

a estrada era palmilhada e, no entanto, desconhecida. nunca se sabe onde acaba, apenas quando se encontra o fim ou o fim encontra o caminhante. a estrada tem pedras e delas pode-se utilizar o peso. o peso poderá servir para manter a barraca esticada, a linha no fundo da água, para quebrar um coco ou fazer fogo. mas a pedra poderá servir também para atingir o outro, o pecador( o homo saccer) aquele que pode ser sacrificado. que atirem a primeira pedra aqueles cujo telhado é de papel. a estrada pode ser outra, off trail, com rosetas (que dizem alguns, são espinhos estrelares. o contrário do peso muitas vezes pode ser pior, difícil de sustentar, porque somos humanos.

mas dizia que estes peregrinos, amigos então, em virtude dos vários encontros estrada a fora e a dentro, se encontraram e se cumprimentaram sem perceber. pararam para descansar. pensavam provavelmente em seus caminhos e talvez, no quanto eram humanos ainda. talvez pensassem o quanto teriam de caminhar para desgastar esta humanidade, para limar os estratos de ciência até voltar ao aberto da vida animalesca e aí, neste estado, encontrar um pouco mais de verdade, de vastidão onde a palavra não fosse tão difícil de pronunciar; talvez tivessem pensado ou relembrado que, de tudo, sempre foi mais importante a verdade;que esta é uma palavra que gosta de companhia e sempre estará junto aos sentimentos como amizade e respeito, sempre em movimento também, pois não há nada absoluto (nada que não se dissolva). talvez estivessem pensando quando seria o próximo encontro. se realmente haveria, por que nesta estrada, os caminhos se bifurcam infinitamente, mas só enquanto se está vivo. (depois, aí sim, o silêncio do sujeito) se olharam outra vez, mas nada foi dito.

talvez para eles o silêncio seja importante em muitas ocasiões da vida, mas acredito que se ele existe, o silêncio, é porque ele é potência, promessa da palavra que retorna, assim como nascem homens. homens que se enganam tanto com as palavras (mesmo gostando delas) quanto com o silêncio. o silêncio contém uma algaravia de vozes esperando a vez, proclama aquilo que pode ser a verdade ou a pedra má. o silêncio pode ser um dia de sol sem vento ou a noite tempestuosa; o sonho, o gozo, mas também a dor, suador.

queria contar a história deste encontro entre amigos nesta estrada antiga e no entanto, desconhecida por ser mutável; queria contar que ali se encontraram em júbilo por não estarem sozinhos, por saberem que se há aquela estrada ali, é por que muitos pés e muitas vezes os seus próprios pés ajudaram a trilhá-la. a estrada é o silêncio do homem, o depois da palavra. queria sim contar essa história, mas o silêncio atingiu a cena como um meteorito (a pedra) e a estrada ficou dentro da cratera e os dois caminhantes dentro da estrada, quase perdidos no silêncio. eles talvez quisessem saber não o motivo do meteorito, mas o motivo da estrada e do silêncio. a resposta silenciosa ecoou, um eco às avessas, surdo, como se o meteorito retornasse subitamente ao incomensurável espaço sideral e entrasse em um buraco negro, talvez ali, a casa do silêncio, mas nunca no coração de peregrinos.

as cabeças baixas permaneceram à beira da estrada enquanto a história, de cabelos brancos, rodava sua saia sorridente ao longo do caminho. sorria pois sabia que esta história seria contada outra vez, e outra e outra e sempre seria diferente. a história sorria dos homens porque sabia que o encantamento do mundo não brilha, a não ser depois de esquecido como ruína. o brilho e o homem, assim como a palavra, são transitórios.


Cristiano Moreira

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Crônica de Marco Vasques


Réquiem para um desconhecido

Para Néri Pedroso e Régis Mallmann

Ele morreu nu na paisagem cega. Pernas que terminam e acabam onde os pés, involuntários, levam sua gama de dor, alegria, suor. Um homem é um homem. Brecht já tinha a intuição das nadezas. Uma morte sempre desloca olhar de alguém, quase sempre, para dentro de outro alguém que não seremos. Ela é uma espécie de gelo-carne que entra pelo olhar e nos deixa cheio de um vazio que perturba e arrebata. Aquele homem tinha um destino. O que o esperava do lado de dentro da vida? Um trabalho corriqueiro? Visitaria uma amante? Talvez o sorriso de um filho o esperasse ou mesmo uma dor alheia? Como saber da profundeza de seu destino? Machado de Assis já previa que “suportasse com muita paciência a dor do fígado alheio”. Por isso aquela morte foi só paisagem. Uma casa destruída por um trator burocrático, aquela morte. Em segundos pés pisam cinzas de horas inexistentes. Uma queda de ninguém. Morreu em público e desconhecia toda a mitologia da crucificação da carne. Somos mesmo seres ausentes de outros. Uma morte assim deveria mobilizar a pele e estratificar o empalhamento do olhar. Mas não, não há que se olhar para um corpo colado ao cimento, corre-se o risco da metafísica. Aquele homem que morreu na manhã de quinta-feira, no terminal urbano, teve um súbito desaparecimento da paisagem e de si mesmo. Aquele homem se agasalhou num voo misterioso. O que provoca estranheza, a morte-imagem súbita, logo se esfacela na paragem de desejos outros. É certo que “a morte não melhora ninguém”, mas pode piorar uma multidão. Que multidão sentirá aquele desaparecimento? Uns dois ou três filhos? Uma esposa zelosa? Um amigo de botequim? Se um homem é uma multidão, por que uma multidão mutila o chão na ausência daquele corpo. Nada sabemos de seu rosto, de seus amores, de suas dúvidas. Mas a ausência daquele homem, recolhido friamente do terminal urbano, lateja em algum lugar, no osso, muito provavelmente. O corpo pálido e de olhar fixado ao nada deu sua última lição de abandono. Morreu na multidão para sentir o beijo da mais completa solidão. Morreu na multidão para mostrar a morte que carregamos segundo a segundo. Aquele homem era o ser mais vivo na paisagem férrea daquela manhã. E o céu azulágrima consumiu o som e sentido do corpo. E os viventes, prenhes de nadezas, simulam a vida em perpétuo esquecimento. Aquele homem ressoa vida na paisagem escura.

Marco Vasques
(Imagem: quadro de René Magritte)

Crônica de Rubens da Cunha


Publicada no jornal A Notícia no dia 11 de novembro



DEIXAR A PREGUIÇA DE LADO



Dias desses, estava assistindo a uns vídeos de música no Youtube. Além de encontrar pérolas absolutas, como Elis Regina cantando “Corsário” em 1976 para um programa da Rede Bandeirantes (com uma dicção que chega a ser ofensiva de tão perfeita), gosto muito de ler os comentários, pois eles demonstram, mais que algumas opiniões, alguns vícios. A opinião/vício que mais me chama a atenção é a de que “não se faz mais música como antigamente”. O antigamente aqui quer dizer década de 1960, 70, talvez 80. O comentário lamentoso geralmente está nos vídeos de compositores como Chico Buarque, Milton Nascimento, ou de cantoras como Gal Costa, Maria Bethânia, ou da própria Elis. Além do “não se faz mais música como antigamente”, outro comentário muito em voga é o “não tem mais compositores nem cantores como aqueles”. Bom, acredito que esse tipo de opinião demonstra muito claramente o vício da preguiça, afinal as duas “verdades” podem ser facilmente desmontadas. Chamo quem reclama da falta de bons cantores e de bons compositores nos tempos atuais de preguiçoso porque me parece que é o tipo de pessoa que fica esperando que o rádio e a televisão mostrem, digam, apontem novos artistas do quilate dos já citados aqui. Eis a diferença entre o nosso tempo e a década de 60 de 70: antes Chico Buarque, João Bosco, Belchior, Caetano Veloso, Tom Jobim eram figurinhas fáceis nos programas de televisão e nas rádios brasileiras. A mídia mudou e esses artistas foram “afastados” e em seus lugares foram colocados outros, mas isso não quer dizer que eles pararam de produzir, e principalmente, que artistas tão bons quanto esses deixaram de surgir. A única diferença é que não aparecem mais na televisão. Cabe agora ao público que quer ouvir uma música diferenciada pesquisar, correr atrás, escutar quem tá fora da mídia. De nada adianta ficar lamentando a predominância do funk, do pagode, do sertanejo, esqueça, eles venceram. Cabe aos derrotados musicais parar de se lamentar e ir onde a boa música se encontra, deixar a preguiça e o saudosismo de lado, deixar de achar que Chico Buarque ou João Bosco pararam de compor nos anos 80 só por que a música deles não toca mais na televisão e ouvir o que eles estão dizendo agora, quase sempre tão ou mais interessante do que o já dito. Reafirmo: eles continuam tão bons quanto, senão melhores e na sua esteira surgiram grandes compositores e músicos como José Miguel Wisnik, Chico Pinheiro, Paulinho Moska etc (com muita ênfase no etc.). Além das cantoras: Monica Salmaso, Teresa Cristina, Mariana Aydar e dezenas de outras, afinal esse pais é um celeiro para mulheres cantantes. Por isso, conclamo aos lamentosos, vamos deixar a preguiça e a dependência da televisão de lado e vamos caçar os bons músicos desse País. É tarefa bem fácil e sempre muito surpreendente.

Rubens da Cunha

terça-feira, 10 de novembro de 2009

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Poema

Agora a pouco (22 h), Eduardo Moreira(que não é meu parente), um artista visual da mais alta estima, telefonou-me e após uma agradável conversa de quase uma hora, escrevi este poema. A prosa alimenta o poema, a provocação destas conversas gera certo atrito, produz imagens, (provoca o imaginário). Faço então um juntamento dessas imagens e as embrulho em um objeto que chamo de poema. Só isto.

"hora en que la yerba crece
en la memoria del caballo"
Alejandra Pizarnik


ruidos de patas duras
como água de chuva
sobem o passadiço

descem pela escotilha
clarabóia ou furo
que toda imagem
ou palavra carregam
presa à nuca

patas cruas como
tinta fresca pisam
minha cabeça

estrala a espinha de peixe
dentro daquele deserto
-minha cabeça-
povoada agora por trotes
rostos do caravançarai iluminados
pelos archotes presos nos molares

traço a língua que sobra
sob o peso desta pata
que por sua vez soçobra
na vastidão do vazio

habito. onde?



Cristiano Moreira

Raquel Stolf está na Espanha participando do "IN-SONORA V"


Raquel Stolf participa do evento “IN-SONORA V – Mostra de Arte Sonora e Interativa”, que acontece em Madri em novembro de 2009

O evento “IN-SONORA V” consiste numa mostra de Arte Sonora e Interativa, que ocorrerá em Madri, em 13 espaços culturais diferentes, durante o mês de novembro de 2009. O evento acontece a partir de uma seleção internacional de projetos relacionados a trabalhos sonoros e à interação, envolvendo múltiplas possibilidades de materialização e apresentação. Foram selecionadas instalações sonoras, performances, eventos “ao vivo”, bem como peças sonoras que serão apresentadas em “zonas de escuta”, além de palestras e oficinas que serão ministradas por artistas e pesquisadores. A programação do evento conta com 80 artistas de diferentes nacionalidades e com o apoio de 13 espaços culturais alternativos, privados e institucionais de Madri, como Matadero Madri, Medialab Prado (Madri), Faculdade de Belas Artes (UCM), Instituto Francês, Embaixada de Portugal, Embaixada da Holanda, Centro Hispano Colombiano, Espaço F, Off Limits, Studio Banana, Instituto Europeu de Design, Galeria Manolo Sótano, Fundação ArtSur, Espaço Menosuno e Ministério da Cultura do Brasil. Artistas selecionados pela comissão composta por Miguel Álvarez Fernández (diretor do “Ars Sonora de RNE” e artista), Younes Baba-Alí (artista multidisciplinar), Mario Gutiérrez e Maite Camacho (artistas e diretores do “IN-SONORA”) e Betania Lozano (coordenadora do “IN-SONORA” e do festival “Experimentaclub”): Instalações: Omnivor-lab; Pablo Serret de Ena; Patxi Araujo; Mario Sarramián; Raquel Stolf (BRA); Kyop Jeong (FR-KOR); Ad van Buuren (HOL); Kris Delacourt (BEL); Toktek (HOL); David Cossin (EEUU); Leonel Moura (POR); Lima Sonora (PER). Evento-instalação:
Alberto C. Bernal;
Peter Memmer;
Román Perona
Eventos “ao vivo”: coletivo IDFX
Kris; Delacourt (BEL); Lacomida visuals
Freundliche Grüße Wessel (HOL);
Toktek (HOL);
Adán Durán;
Carlos Jiménez;
Daniel Martin [Dirty Mousta];
Dj Amsia;
El Hombre Viento;
Maricruz Planchuelo;
Cuneta;
Turukutupá.
Peças de escuta: Bruno Bresani; Fabian Avila; Francisco Eme; Josh Goldman; Kunkuni mix project; Miguel A García; Oier IA; Alfonso Hervás; Bernabé Gomez; Pedro Torres; Raphael Simon e Karen Keppe; Sol Rezza; TensionCo; Tomaz Klotzel; Zuriñe F; Premios Hablar en Arte. Vídeos: Angella Conte (POR); Mit Borras; José Tomé; Lacomida visuals; Ninotchka Art Project. Raquel Stolf apresentará os trabalhos Lista de coisas brancas – coisas que podem ser, que parecem ou que eram brancas (traduzida para o espanhol pelo escritor Renato Tapado) e FORA [DO AR], que serão expostos no Studio Banana, em Madri, entre 5 e 23 de novembro de 2009. A artista obteve o apoio do Ministério da Cultura do Brasil, através da seleção pelo Programa de Intercâmbio e Difusão Cultural. Em Lista de coisas brancas – coisas que podem ser, que parecem ou que eram brancas, uma coleção de quase 500 palavras-coisas brancas é instalada no espaço expositivo em letras adesivas e sons-ruídos: arroz. açúcar. nuvem. sal. isopor. caderno novo. tontura. neve. pérola. céu nublado. sussurro. borracha de apagar. concha. minha geladeira. cabelo branco. vermes. pasta dental. pó de mármore. eco. balinha de 2 calorias. felicidade inesperada. naftalina. dia de sol forte na praia. ovos. morte. tinta de parede. O branco sobre branco pode ser traduzido por alguns conceitos que atravessam o trabalho: o branco (que veda, preenche e obnubila), o em branco (vazio, espaço em branco, silêncio) e o deu o branco (interrupção de sentido, instante suspenso de não-saber, ruído). Sobreposições e empilhamentos de palavras compõem a versão sonora da Lista de coisas brancas. Modulações nas sobreposições de palavras produzem ruídos e descontinuidades entre som e sentido, ressonâncias e deslocamentos entre a leitura (do texto também instalado) e a escuta do mesmo texto, suscitando flutuações e estranhamentos entre a palavra lida, a palavra escutada e o espaço que as abriga e também as modifica. FORA [DO AR] agrupa proposições sonoras que investigam a palavra em situações cotidianas (os ruídos de fundo da fala, a escrita oblíqua e as fissuras da ficção), como a questão da escuta, propondo-se reinventá-la, estremecê-la e exercitá-la como uma escuta porosa, que absorve os ruídos do entorno, que pensa e percebe variações sonoras entre barulho, ruído e rumor. Constitui um CD de áudio composto por 33 faixas que podem se desdobrar em micro-intervenções urbanas (através de carros e bicicletas sonoras), em micro-intervenções domésticas, em inserções em rádios, em instalações, vídeos e textos. O CD possui 500 exemplares e foi editado em 2004.Site do IN-SONORA V: http://www.in-sonora.com/ e http://www.youtube.com/insonoraEndereço e site do Studio Banana: Rua Plátano, 14 (Tetuán), Madri // http://www.studiobanana.orgsite/ de Raquel Stolf: http://raquelstolf.multiply.com/ .



quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Feira do Livro de Porto Alegre

Mais Singulares em POA
Poeta Marco Vasques apresenta fala sobre os POETASNOSINGULAR. Cristiano Moreira, Dennis Radünz e Fábio Brüggemann sob mira da fotógrafa e poeta Francine Canto

Crônica de Rubens da Cunha

Publicada no dia 04 de novembro de 2009. Jornal A Notícia
OS ANIMAIS-TEXTO

Puxa um livro ao acaso da estante: “Jardim Zoológico”, de Wilson Bueno. Abre ao acaso uma página: 73. Lê. Concentra-se no mundo imaginário de Bueno, na linguagem poética. Visiona “os Zíngaros & os Zongues”, os animais inventados por Bueno para ocupar esse jardim zoológico. Os animais podem ser inventados, mas, ao serem escritos e enjaulados na página 73, tornam-se mais reais do que leões ou elefentes. Engraçado isso: personagens, cenários, ideias, versos, tudo que ser cria em literatura fica preso na página, igual a um jardim zoológico. Entramos, às vezes, num livro e o percorremos inteiro, do começo ao fim, libertamos alguns animais, deixamos outros presos no esquecimento. Em outros livros, sobretudo os de poemas e de narrativas breves, podemos visitar apenas um texto, observá-lo mais atentamente, decidir se vamos trazê-lo conosco ou vamos deixar ali, eternamente, naquela página. Todo leitor tem consigo pelo menos uma dezena de animais-texto de estimação, libertos de algum livro. São animais que o protegem numa situação incômoda de tristeza, ou que o tornam inteligente quando precisa aparentar inteligência. Leitores são seres frágeis, estão sempre à caça de novos textos. Não que os velhos não sirvam mais, mas uma reserva é sempre bem vinda, e mesmo o mais genial texto gasta-se com o tempo, vide o “ser ou não ser” de Shakespeare, talvez o animal-texto mais usado no mundo. Enfim, todo clichê já foi uma frase original. Visita mais um animal de Wilson Bueno: página 33. “Os dicéfalos”, animais com duas cabeças que habitam as geladas florestas da Islândia. Duas cabeças? E se tivéssemos realmente duas cabeças? Ou mais cabeças? Talvez por isso os leitores fazem dos textos que eles libertam dos livros suas outras cabeças. Os textos falam, pensam, sentem pelo leitor, e reciprocamente o leitor também fala, pensa e sente com os textos. É um intercâmbio, um intermédio entre o leitor, bicho de uma cabeça apenas, e as infindas cabeças-texto que ele conseguir libertar, ou melhor, que o leitor conseguir prender a ele mesmo, afinal cada citação, cada lembrança de um texto nada mais é do que amarrá-lo um pouco mais sobre nosso corpo, aprisioná-lo um pouco mais ao lado de nossa cabeça original. Todo leitor, mais do que um dicéfalo, é um pluricéfalo. Página 27. “Os nácares”. Animais que vibram na ausência da luz. Foram vistos por Jorge Luiz Borges, graças à cegueira dele. O leitor também precisa ser um cego para resgatar alguns animais-texto. Precisa não lhes ver a procedência, não lhes ver os espinhos e as agruras. Todo leitor sabe que o melhor animal-texto é aquele que o fere, seja por raiva, seja por beleza, mas é sempre um ferimento profundo e viciante, por isso o leitor precisa de cuidado, libertar um animal-texto feroz sempre de noite, um de cada vez, amansá-lo com pouca leitura, caso contrário será engolido pela força voraz do animal-texto recém liberto e zaz: foi-se mais um leitor em direção à luz.Leitor bom é leitor dentro da escuridão, leitor em busca da luz. Com a luz encontrada, todas as jaulas são abertas e tudo se acaba em nada.

Feira do Livro de Porto Alegre


Debate sobre a nova poesia produzida em Santa Catarina. Na mesa Fábio Brüggemann, Dennis Radünz, Marco Vasques e Cristiano Moreira. O evento ocorreu na sala Arquipélago, Fundação Érico Veríssimo, em Porto Alegre, na Feira do Livro.
Foto: Francine Canto

Relançamento do livro Casa de Água do poeta Fernando Karl

Sebo Dom Quixote
A editora Letradágua está lançando Casa de água, uma edição comemorativa dos 25 anos de produção poética do escritor catarinense Fernando José Karl. Nessa antologia, além dos 200 poemas escritos, também foram incluídos 30 desenhos de sua autoria. O volume foi organizado pelo poeta Dennis Radünz que selecionou poemas dos seguintes livros do singularíssimo Fernando Karl:
1. Tema para romance
2. No verão amadurecem os chapéus
3. Desenhos mínimos de rios
4. Diário estrangeiro
5. Travesseiro de pedra
6. Brisa em Bizâncio
7. Se eu mesmo fosse o inverno sombrio.
Quem desejar adquirir o livro pode entrar em contato com o Antonio, dono do sofisticado Sebo Dom Quixote, na cidade de São Bento através do http://www.sebodomquixote.com.br/ ou do telefone: (47) 3633-5365. Detalhe: Casa de Água só pode ser encontrado no Sebo Dom Quixote. O preço do exemplar é de R$ 30,00 + o valor do impresso registrado (que custa mais ou menos R$ 4,00).