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segunda-feira, 17 de maio de 2010

Poema de Cristiano Moreira

estou sentado esperando os outros,
mas essa espera é fora do tempo
é uma espera de fótons
a luz nesta sala escurece, não ilumina.
nesta luz, apenas um ruído de páginas
folheadas. ouço passos do lado de fora
talvez as letras em movimento tentando entrar
na sala. estou esgotado, o que me enche de força
porque para escrever é necessário o cansaço.
pouco movimento o corpo porque ao mover-me
todas as cores da sala, do buraco na parede
onde um rato espreita, das frestas por onde
o parco vento delata o exterior, tudo cria movimento
igual ao do deserto dilatado diante da íris
uma refração, um labirinto. sobre esta
tiniebla a sala se sutém. sei que em minha frente
há outros corpos. não os vejo, ainda.

Um comentário:

Enzo Potel disse...

Há! Uma mariposa.
até o final da semana daremos o segundo e-passo.
abraçon