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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Aproximações de um espantalho

O discurso do Lá


I



báçira não é mais

não é menos, mas é

serra da paçira

terra de Oz-

man Lins


II


um garoto na rua diz:

“o som é muito alto pro meu cavalo”


III


flutua o arco sobre a seara de faces

muito não chove.


IV


irei, não

fui, estive

agora não

poucos dias

antes do vento

o baile da palha


V


um espantalho na neve.

Moscou, 1927

“ficou lá durante muito tempo, acenando”

seu chapéu

uma gramática russa

sob ele

ruas da infância


VI



como ver-se

e masturbar-se

não. não

na estaca, fixo.

goza com a pele

ru

gosa

dedos finos

dos corvos



VII


a palha atende ao frio que ronda katharina detzel

ganha corpo e avoluma-se em suas mãos

não há sujeito tampouco sangue

mas há o princípio do prazer

e isso muda tudo

e a palha pode ser sim algo

mais que palavra, a própria morte

ainda curva em seu esconder-se dentro da vida

assim a palha alegra o homem

que a disfarça sob a mão feminina que o segura


VIII


lá não se diz mais espantalho

lá o discurso é de mau agouro

lá na curva, malha de aguapé

lá a malha da rede enche a boca da barra

lá o homem de palha enche o bolso de pilha

lá o homem sai radioativo e ruidoso

há só eco seco sobre saco de supilho.


Cristiano Moreira

2 comentários:

Marco Vasques disse...

Cris, vou escrever um espantalho... e postar

Cristiano Moreira disse...

valeu marco, fique a vontade e aumentemos nossa galeria.

abraço.