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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Poema inacabado para Maria do Rocio

Poderia ter amado Maria do Rocio

Durante aquela hora em que ficamos nus

A teria amado enquanto se despia

E seus pelos mais íntimos

Se avermelhavam

Na luz do verão do nosso quarto

Fiquei com medo de Maria do Rocio

De seus dentes abertos de mulher mentirosa

Da paixão incendiária

Que por ela sentia

Fogo devorando o carbono

Para se revelar a cor

Dos cabelos rúbios

dos olhos azuis

A pele branca da mulher de 24 anos

A voz que sopra meu ouvido até hoje

A paixão dos beijos mais ferozes

Do gozo mais livre

Naquele corpo que a luz

Permitia olhar

Poderia ter amado Maria do Rocio

Andado pela Praça dos Leões de mãos dadas

Com ela pedia

Sendo mais que um menino para ela

Um mês ela se foi e eu não sei para onde

Nunca mais nada soube

Sobre o paradeiro de Maria do Rocio

Nunca mais o riso e os dentes separados

A luz de sua nudez em meu sótão

Foi bom ter esquecido aquele corpo

Foi bom nunca mais ter visto seus olhos

E seus cabelos e seu rosto e os pelos de seu braço

Seria desepero encontrá-la agora

Num site de buscas

Num sala de bate papo

Tão distantes daqueles dias sem fim

Do pouco dinheiro e muita esperança

Da paixão sem medidas que eu sentia

Por ela

E que ela sentia por mim

Talvez sem ter me dado conta

Tenhamos mesmo nos amado

Naquela hora em que ficamos nus

E nos abraçamos em pé e nos beijamos

Antes do amor


Antonio Carlos Floriano

3 comentários:

Anônimo disse...

sim sim eu lhe digo, floriano, teu texto é certeira espada de samurai na jugular

ultimato: tens que lançar em breve teu novo livro

karl

Cristiano Moreira disse...

Floriano

uns dos melhores poemas que l i nestes últimos dias. neste ano de 2012 sem dúvida é o melhor. concordo com o karl. abração

cristiano

Vieira Calado disse...

Depois de lidos dois poemas

deve dizer que o meu desejo

é que este 2o12

lhe traga sempre igual inspiração!

Um abraço.