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sábado, 27 de março de 2010

Da série "eu odeio certas verdades" I

O escritor que pretende fazer uma obra singular está condenado a inventar à medida que percorre a estrada pela qual caminha, a desconfiar de qualquer carreira previamente traçada. Não pode visar riqueza, pois visando-a, arrisca-se a se tornar um escritor medíocre. Pior: o sucesso é um sinal ambíguo, que muitas vezes revela uma conformidade inquietante a uma moda transitória e não garante glória sólida. Enquanto para a literatura comercial o sucesso é uma garantia de valor, para a criação verdadeira o sucesso imediato tem algo de suspeito. [...] Quaisquer que sejam a regularidade de seu trabalho, a quantidade de esforço e de tempo investido, o escritor não consegue programar o lucro que terá, principalmente quando se trata de um reconhecimento a longo prazo. O lucro conseguido com a literatura depende mais da decisão insondável de um acaso do que da gestão de um patrimônio.

Dominique Maingueneau in: O Contexto da obra literária

3 comentários:

Marco Vasques disse...

Rubens, tu tens esta obra?
Abraço.

Helena disse...

Gostei da frase, é um conforto para nós que tentamos o caminho difícil do experimentalismo. Não que ter sucesso seja ruim, todo mundo quer ser lido. Mas merecemos poder tentar em paz o caminho das pedras afiadas

beijo e tudo de bom no lançamento,

Helena

Enzo Potel disse...

e a gente não pode esquecer daquele que não "pretende fazer uma obra singular" e mesmo assim, não vende. e daqueles que fazem literatura comercial e não vendem também!

esses dois grupos que citei acima representam 99% da área.

O restante se divide em "glória sólida", glória líquida (se amolda ao espaço: Bento Nascimento, Ulisses Tavares...) e os que vendem bem!

(continua explorando essa série, Rubens! mas sem Hilda, porfavor kkkkk)