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quinta-feira, 24 de junho de 2010

Um poema de Antonio Carlos Floriano

Não tenho percepção dessa existência
respiro por aparelhos as cinzas sem acenos
engulo a groselha
de tua gelatina
escrevo como escravo para que nunca me ouçam
sou ateu
e rezo todos os dias
para que pareça
coisa desenhada em tatuagens de hena
vídeo de internet

Eu prefiro a morte que os xaropes
esses arrumados com roupas roubadas
usando facas em aparelhos dentários
detesto os otários
mesmo os imaginários

Na verdade prefiro sentar na beira do mar
com a cadeira da promoção
almoçar e deitar e acordar
com extrema ausência de percepção

Tomo doses de vinho de uma outra promoção
e goles gigantes de desinfetante
é o bastante para os livros das gestantes

Preciso de uma cláusula etérea
e que surja de quase todo infortúnio
essa luz no fim do túnel

Não há menor condição de aceitar essas condições
melhor calar do que falar de premonições
nesses setembros desolados
desses setembros abertos de camadas de ozônios
putinhas de calça leg
e mendigos de lápis crion

Um comentário:

Cristiano Moreira disse...

Floriano

creio na lamina escondida enter estes versos. gosto destes cortes sobre a pele da mercadoria, uma pele anestesiada. manda brasa.