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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

UM TEXTO DE MARCO VASQUES

recusa

enfermo são os olhos devorados no altar da catedral pagã. catedral impossível de toque. o corpo tocado não é rosário. um carnaval de cinzas após a carnação não consentida. cinco mil dedos no corpo menino. sala escura. a batina dos desejos. a escritura de anjos na pele. os joelhos em carne. cinco mil corpos sem vozes no corpo menino. teria deus enlouquecido?. nenhuma lágrima na lágrima minha irmã. mamãe ainda reza e masturba padres. sou cavalo selvagem solto na escuridão. nada sei do idioma dos homens. cultivo o idioma da pedra. o idioma da pedra no sexo. silêncio silêncio tsunami é minha alma. um coro de afogados me lêem. a sacristia foi a extra-unção do desejo. e mamãe ainda reza e masturba padres. só para mim o evangelho começou pelo lado direito.

Um comentário:

Christiano Scheiner disse...

uow, que punhalada! infernos daqui! saudades. a tua coragem de escrita me enobrece